Sunday, October 21, 2007

Tardes de Outono

Nao sei porquê isto tem este efeito em mim...
ao olhar para os outros nao os vejo assim e de certeza que têm sentimentos por alguém.
Eu fico completamente desnorteada.. só penso nisso, nao consigo concentrar-me em mais nada.
Passo horas na cama a supor , a imaginar situações, a recordar conversas e momentos fugazes aos quais quero voltar.

Agora, aqui defronta-me o brilho do Tejo
A estranheza da outra margem,
O embalar do veleiro que passa
o voar das gaivotas que me encanta
a frescura do ar
o cheiro.....
os sentidos a tilintar
o sol que me conforta e me aquece
o vento que me acaricia
o barulho da água
que nao se esquece...

A água em quantidades colossais que me acalma
a paisagem que sendo sempre a mesma
me traz sempre algo de novo,
solta-me do meu Mundo egoísta
solta-me do egoísmo da paixão
que me traz crises de pânico
e ataques de choro,
que me levam a pensar que és o centro
que és a única saída
a única porta aberta para a minha felicidade.

Mas quando me sento aqui,
sinto o vento
e vejo a forma como o sol decora o rio
com ornatos brilhantes e dourados,
vejo que o que preciso está em mim
está em mim e naquilo que o mundo me traz
Naquilo que a natureza abre para mim.

Sim, gosto de ti.
Mas quando não te olho
quando fecho os olhos
e me apercebo do que está aqui para mim
deixo de me sentir presa
deixo de olhar para o mundo
como se fosse um abismo...
Porque é assim que eu o vejo através de ti:
um buraco negro colossal...
que se abre
de cada vez que me ignoras,
de cada vez que percebo que nao me amas.

Aqui, sozinha com o mundo eu tenho tudo.
Sinto que não preciso de mais nada para viver.
Eu, o Mundo e a música a lantejar-me nos ouvidos
através dos fones.
Eu, o Mundo e a Música.
E.. posso dizer.. sem nenhuma dúvida...
Estou feliz agora,
Livre agora.. mais livre que o Tejo
Porque ele desbrava sempre o mesmo caminho
E o seu destino é sempre o mesmo:
O imenso Atlântico.

O Atlântico..uma pequena parte do Globo..
Eu tenho o Mundo... e tenho Lisboa.

Monday, October 1, 2007

hometown

Meto a música no máximo para tentar abastrairme do que me rodeia.
só queria que ainda desse mais alto para ver se estoirava os ouvidos.
aquilo que supostamente devia ser a minha paz, é a minha decadência.
aquilo que devia ser o silêncio sao os berros de frustração da minha mãe e os flashbacks duma suposta infância feliz acompanhada da rebelião fútil de calças esfarrapadas à força da raiva.
Passou um ano desde que parti e nada tem o mesmo significado como se um ano valesse mais que 18 anos de vivência..
já nem consigo identificar alçgum sitio como lar.
as minhas memórias e os meus pertences encontram-se completamente fragmentados e espicaçados por vários sítios diferentes....
é como se aquilo que necessito ou aquilo que faz parte de mim nao se encontrasse na totalidade em lado nenhum.